burburinho

os escribas esto soltos

internet por Nemo Nox

A mdia descobriu os weblogs. Nos ltimos meses, eles foram assunto em uma infinidade de sites, revistas e jornais. O buraco da fechadura sempre atrai, mesmo quando uma coisa consentida.

H quem acompanhe weblogs como se fossem telenovelas, querendo saber ansiosamente se a autora vai reatar aquele velho namoro ou no. Mas grande parte dos leitores de weblogs busca mesmo algum tipo de indentificao com os autores para a partir dali aproveitar dicas sobre interesses comuns que possam ter. a fragmentao e multiplicao dos formadores de opinio. Enquanto a estrutura da mdia pr-internet forava o veculo grande como principal fonte de informao, hoje vemos microgrupos que se formam ao redor de ezines e weblogs. O internauta se identifica muito mais facilmente com o webwriter independente e de perfil bem definido do que com a opinio muitas vezes sem rosto dos grandes veculos. Mais confortvel levar em considerao o que diz algum com quem nos identificamos de alguma forma (mesmo gosto musical ou cinematogrfico, mesmo time de futebol, mesma cidade, etc) do que com um cronista de renome mas do qual pouco sabemos.

Um aspecto pouco lembrado que os weblogs representam uma gloriosa volta palavra escrita. Nos primrdios da web, por deficincias tecnolgicas, o texto era uma prioridade em qualquer site - imagens estticas demoravam uma eternidade no download, e sons ou filmes eram um luxo impensvel. Numa sociedade dominada pelos meios audiovisuais, voltvamos subitamente ao domnio do texto. Depois, com a aproximao da mtica banda larga, a web comeou a ser invadida pelo visual, e fomos inundados por sites bonitos porm desprovidos de contedo. Para muitos que no tinham o que dizer, numa parfrase de mau gosto a McLuhan, o design passou a ser a mensagem, a nica mensagem. Hoje os weblogs mostram que nem tudo est perdido para as belas letras. Pelo contrrio, poucos imaginavam que poderia haver tanta verborragia espalhada pelo mundo, e legies de escribas se lanaram web mal os obstculos para a publicao foram contornados (para fazer um weblog hoje no necessrio qualquer conhecimento de html, ftp ou outras siglas assustadoras para os nefitos).

Os weblogs so bem mais que uma verso online dos velhos dirios escritos caneta num caderninho trancado a sete chaves. As influncias so mltiplas, e vo dos velhos fanzines e jornaizinhos escolares mimeografados at os sites pessoais e os cronistas da grande imprensa on e offline. curioso que os grandes veculos de comunicao, em geral, tenham dado tratamento de curiosidade ao fenmeno dos weblogs. Muitos jornalistas no se sentem confortveis com a concorrncia que surgiu de todos os lados e se manifesta diariamente na web, sem diplomas e sem compromissos, e prefere descartar o movimento como moda passageira. Mas nos weblogs que vai surgindo uma nova gerao de formadores de opinio, bem aos moldes anrquicos da internet, variando de modestos palpites sobre o ltimo lanamento cinematogrfico s grandes denncias polticas. So milhares de Spider Jerusalem (personagem de Transmetropolitan, de Warren Ellis) soltos pelo mundo, relatando, denunciando, opinando.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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