burburinho

o poder dos mercados

miscelnea por Hernani Dimantas

A web aproxima os conceitos de marketing que tm como premissa o relacionamento com o consumidor. Na rede quem manda o cliente. No se trata de uma frase solta. Essa a tendncia que vem se mostrando verdadeira a cada dia.

Essa abordagem voltada aos mercados est sendo potencializada atravs da internet. O usurio tem tantas formas de se inter-relacionar que deixa qualquer marqueteiro impotente frente aos mercados. Podemos perceber a incapacidade das empresas em lidar com os clientes. Os departamentos de atendimento ao cliente esto colapsados, tanto no mundo real como atravs da virtualidade da rede.

Pensar que mercados so conversaes uma aproximao mais humanista. falar do poder das palavras que espalham o conceito do produto. Usamos o marketing boca-a-boca. Estamos disseminando o ideavirus. Isso est intrnseco no nosso cotidiano. Na prtica, o marketing moderno tende a se basear em conversaes. O marketing de permisso reconhecido como uma boa ferramenta de relacionamento entre empresa e os seus clientes. Eles namoram, ficam noivos e se casam. E, se continuarem respeitando essa permisso, vivero felizes para sempre.

Mas o poder dos mercados vai alm dos consumidores do e-business, ou dos produtos. As conversaes nos mercados esto criando empresas baseadas no relacionamento. Estamos vendo isso acontecer.

Os resultados dessa construo incluem o Apache, o servidor da web criado por Brian Behlendorf e outros hackers. O Apache fruto da necessidade dessas pessoas. Eles precisavam desse produto e fizeram acontecer. Atualmente, mais da metade dos sites na web utilizam o Apache. O Linux aparece como filho prdigo de um desenvolvimento tecnolgico cooperativo e principalmente virtual. O Linux subversivo, pois subverte a estrutura imposta pela revoluo industrial. Na era da internet, desponta como o primeiro produto idealizado e concebido pela sociedade da informao. Alis, o Linux no tem dono. Foi criado pela comunidade virtual para o domnio pblico. um patrimnio da humanidade. Linus Trovalds precisava desse produto, e fez acontecer.

Eric Raymond, no seu livro The Cathedral and the Bazaar, descreve a dinmica da comunidade automotivada de programadores independentes. Como um bando de hackers renegados podem enfrentar, e principalmente, ameaar o Windows NT, e mesmo o Windows para desktop? Atravs da conversao. Tanto a internet como o Linux so exemplos de como funciona a mais pura conversao nos mercados. So os melhores exemplos de marketing da nova economia. A lio mais importante desse grupo de hackers que mercados inteiros podem rapidamente incrementar conversaes, independentemente da participao de empresas, dos governos, das universidades, ou de qualquer instituio. Eles precisavam de um produto, e fizeram acontecer. Criaram a internet.

Essas conversaes no necessariamente precisam ser aleatrias. Podem ter um propsito. "Ns, hackers, estamos ativamente mirando a criao de novas formas de conversao desconectadas das instituies tradicionais", disse Eric Raymond. "Isso no um subproduto acidental do trabalho de uma engenhosa tecnologia. um objetivo explcito que para muitos comeou nos anos 70. Ns pretendemos a revoluo." Belo trabalho.

Esses exemplos mostram como as empresas devem agir. Encarar o cliente como alvo de fidelizao muito pouco. Alis, a fidelizao como estratgia de marketing enfoca a premiao material ao cliente. Mas no promove o comprometimento. O cliente quer poder interagir com a empresa de maneira mais participativa. David Siegel, em Futurize a sua empresa, prope uma gesto conduzida pelo cliente. Esse enfoque muito mais interessante. O cliente palpita, traz novidades e se autofideliza. Esse conceito pode ser estendido e adaptado. Basta mirar as tendncias, olhar os fatos com romantismo. A soluo est sempre nossa frente.


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