burburinho

insanidade e justia

miscelnea por Fbio Polonio

Nestes nossos tempos relativos, comum atribuirmos loucura s pessoas que cometem crimes, principalmente crimes hediondos. Como que incapazes de discernir o bem e o mal, o belo e o feio, o prazer e a dor, vamos atribuindo a todas as aes humanas prejudiciais um qu de loucura e insanidade.

Quando nos defrontamos com as inmeras falcatruas do poder pblico, quando somos enganados como consumidores por empresas que maquiam seus produtos, freqentemente apelamos falta de razo, invocamos o absurdo.

Infelizmente, essas coisas no so insanas, tampouco absurdas. Devemos estar de tal forma condicionados viso maniquesta de Hollywood, em cujas produes cinematogrficas o vilo sempre mau e o heri sempre bom - ou ao contrrio, mas sempre em esquemas radicalmente binrios - que esquecemos da banalidade do mal.

Talvez seja o medo. O crime sem motivo assusta; precisamos desesperadamente de uma explicao. Ou existe motivo plausvel e suficiente, ou quem cometeu o crime maluco, insano, psicopata, drogado, etc. E assim o ato cai na categoria do absurdo, o que nos conforta, como se existisse um mundo coerente sendo assaltado por levas de malucos desorientados. Ficamos espera de um final feliz, uma esperana comezinha, nos enlutando em apartamentos de espao exguo, nos comunicando por interfaces, abandonando os espaos pblicos, nos rendendo. Ou contratando seguranas, comprando armas e automveis blindados, acreditando em solues simples para a educao, economia e administrao pblica. Tudo em nome de um mundo normal, coerente, simples. Que felizmente, penso eu, no existe.

A complexidade que torna as coisas interessantes.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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