burburinho

conversa com mario prata

entrevista por Flvia Cintra

Autor de crnicas e telenovelas, livros e peas de teatro, Mario Prata h anos povoa o imaginrio do pblico brasileiro.

Burburinho - Voc um cronista e escritor bem-sucedido. O que te d mais prazer: as crnicas semanais do Estado ou escrever livros e peas teatrais?
Mario - O que me d mais prazer o momento da idia. Ter a idia para uma crnica, uma pea ou um livro. este o momento mgico, quase orgasmo. Depois, edio, estria, prmios, virar best-seller, tudo bom. Mas nada pode ser comparado ao momento que germinou tudo aquilo. E, depois, ficar dias, meses, desenvolvendo a idia. bom. E o meu trabalho: ficar tendo idias. Me pagam para isso. Quer vida melhor do que essa?

Burburinho - O que o inspira a escrever? Livros, filmes, msica, pessoas, notcias?
Mario - No existe inspirao. Existe idia. E elas esto a, no ar, nos livros, nas msicas, nas pessoas, nas notcias. A funo do artista justamente a de ver antes. No posso passar nada para o leitor, nem mesmo a emoo, se ele j a conhece.

Burburinho - O que voc gosta de ler, o que voc tem lido, que autores te influenciaram?
Mario - Gosto de ler tudo. At bula. Existem algumas interessantes (mas falta dilogo nelas). Jornal, revista. Ultimamente, como recebo muito livro de editoras, tenho lido o que me mandam, uma espcie de filet mignon dos lanamentos. Quem me influenciou foram os cronistas dos anos 50 e 60: Braga, Sabino, Mendes Campos, Pongetti, Nelson Rodrigues, Millr. Depois, toda a literatura latina, a partir do Cortzar (esse eu li tudo). No momento, estou muito encantado com o Italo Calvino e com a Adriana Falco.

Burburinho - Voc fez faculdade de economia. Chegou a se formar?
Mario - No cheguei a me formar em economia. No fiz o ltimo ano. Fiquei com medo de virar economista e depois presidente da Petrobrs, como aconteceu com o meu colega de classe Felipe, recentemente. J achava (estava com 23 anos) que dava para ser escritor, desde que no largasse o jornalismo. Como fao at hoje. Hoje fao apenas crnica, mas j fiz de tudo numa redao. De estagirio a editor de caderno. De vez em quando sinto saudades da redao. Mas hoje aquilo muito silencioso. No tem o barulho das Remington e cigarro nas bocas dos reprteres. Alis, nem reprter tem mais. Nem cheiro de chumbo.

Burburinho - Qual dos seus personagens voc lembra com mais carinho?
Mario - Acho que os personagens das novelas de televiso e teatro. Porque foram representados, viraram gente. Eu vejo eles falando. Isso muito forte. No tenho nenhum grande personagem na literatura. Mas ainda vou chegar l.

Burburinho - Por que voc no escreve mais telenovelas? Pensa em voltar televiso?
Mario - Porque atingi uma posio profissional que posso recusar. Pode ser passageiro. Gosto muito de televiso. Talvez escrever algo de 40 captulos no mximo, entregar, receber e tchau. Novela grande nem pensar. Quase todo ano me convidam. Peo uma grana muito alta que eu sei que no vo me pagar.

Burburinho - Depois do livro Minhas Tudo e da pea teatral Eu Falo o que Elas Querem Ouvir, quais so seus projetos mais recentes?
Mario - Mindinho (ainda estou trabalhando nele), da srie Cinco Dedos de Prosa, da Objetiva. Depois, estou com vrias idias. Pra livro, teatro.

Burburinho - Voc tem ficado mais em Florianpolis, no seu apartamento em Jurer. Por que decidiu sair de So Paulo?
Mario - Precisa responder? Compre no mesmo dia o Estado e o Dirio Catarinense. E olhe as manchetes. No sa de So Paulo. Sa do Brasil. Estou numa ilha. Meio aposentado.


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