burburinho

manuscritos perdidos

livros por Nemo Nox

Voc escreve um livro, passa parte da sua vida dedicado quela obra, e ento, vupt!, o manuscrito se perde. Esta tragdia mais comum do que se pensa, no acontecendo somente hoje com escritores distrados que no fazem backup do que digitam no computador.

MolireO clebre dramaturgo Jean-Baptiste Molire (1622-1673), alm de autor e ator de peas de teatro, era tambm um expert em cultura clssica, e passou alguns anos dedicando-se a uma traduo do livro Da Natureza das Coisas, do poeta latino Lucrcio. Molire era tambm um homem vaidoso, e no dispensava a peruca cacheada to em moda na sua poca. Um dia, porm, descobriu que seu criado vinha usando as pginas da sua traduo para fazer os rolos de papel necessrios para manter a peruca em ordem. Enfurecido, queimou o resto das pginas e abandonou a traduo.

ByronO polmico poeta Lord Byron (1788-1824) escreveu uma autobiografia de quatrocentas pginas e confiou-a ao amigo Thomas Moore para que a publicasse depois de sua morte. Quando Byron faleceu, porm, Moore e John Hobhouse, outro amigo de Byron, resolveram queimar o livro em vez de o publicar, para poupar a famlia do poeta de um possvel escndalo por causa do contedo da autobiografia. Byron deveria ter escolhido seus amigos com mais cuidado.

Num episdio do mesmo gnero, a esposa do falecido explorador e literato Sir Richard Burton (1821-1890) resolveu queimar sua traduo de The Scented Garden (O Jardim Perfumado), obra ertica rabe do sculo XVI. Apesar da oferta de trinta mil dlares (uma fortuna na poca!) que recebeu pelo manuscrito, preferiu transformar tudo em cinzas, juntamente com as anotaes e os dirios do marido, reunidos em quarenta anos de viagens e pesquisas. Tudo em nome da moral e dos bons costumes.

LawrenceEm 1919, T.E. Lawrence (1888-1935) j tinha completado oito dos dez volumes de seu Lawrence da Arbia. Numa viagem de trem entre Londres e Oxford, parou para tomar um caf na estao de Reading. L deixou, esquecido debaixo de um banco, o saco que continha os manuscritos. Quando se deu conta e telefonou para a estao, algum j tinha levado o saco. Os originais nunca apareceram, e Lawrence teve que recomear do zero. Os primeiros volumes s foram publicados em 1922.

John Steinbeck (1902-1968) estava quase no fim de seu manuscrito de Ratos e Homens quando seu cozinho Toby resolveu roer o livro, deixando-o inutilizado. Steinbeck teve que reescrever vrios captulos, mas achou que isto s serviu para melhorar o resultado final. Quando o livro foi lanado e recebido com entusiasmo pela imprensa, ele anunciou que iria promover Toby crtico literrio.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
Copyright © 2001-2005 Nemo Nox. Todos os direitos reservados.